Outro dia, durante a aula de Ludologia, surgiu uma afirmação: as crianças de hoje não brincam tanto quanto as de antigamente. Hum... sabe que desta vez esta afirmação me fez pensar às avessas?
Fonte: http://www.sintrascoopa.com.br/
Fiquei pensando... Já perguntamos às crianças de hoje o que acham de seu brincar? E no "antigamente" "antes do nosso antigamente"? Lá para os idos do Renascimento, da Idade Média ou até um pouquinho para trás. Será que os adultos - nossos avós, bisavós, tetravós, pentavós, hexavós, heptavós, octavós ... Duodecavós, ufa!!!! ancestrais mais distantes - será que já não diziam: Ah, os miúdos já não são mais aqueles de antigamente!? Certamente que sim.
Os modos de brincar – determinantes da cultura lúdica dos seres sociais, mudam muito conforme o tempo passa. Bem afirma Brougère quando diz que a cultura lúdica “se diversifica também conforme o meio social, a cidade e mais ainda o sexo da criança”. Que dirá com o tempo passando.
Hoje em dia tenho pensando que não é bom antes, nem melhor agora. Ou melhor, tem “muito” do jeito de brincar de antes que é excelente. Mas tem “muito” do brincar de agora que, ao seu modo, é excelente, também. Nossos meninos não brincam mais como antes! Lógico! Eles não são meninos de antes. São os de hoje. Como nós, em nossa época, não éramos os meninos dos tempos de nossos avós.
E quantos de nós, educadores, conhecemos estes novos modos de brincar de nossos miúdos, de forma atual, sem saudosismo? Quantos de nós já brincamos do modo que eles brincam para saber o que há de bom e o que não é bom?
Conhecer o universo de brincar destes garotos significa despir nossa saudade (podemos guardá-la no armário para buscar depois), e observá-los com um “novo olhar”. Afinal, este é um caminho sem retorno. Reconhecer um pouco o valor desses novos modos de divertir-se.
É válido ensinar aos nossos miúdos o brincar de antigamente? Sim, posso afirmar com “segurança d´alma”. Eu diria: Sempre! Afinal, nos constituímos no tecido histórico social. Mas nada de achar que isto vai resolver o futuro da “futura” humanidade. Integrar o brincar de antes com o de hoje é muito mais “um encontro entre tempos diferentes”. Uma oportunidade de conviver com as diferenças promovidas pelo tempo que passa e não volta atrás. De enriquecer o universo cultural da criançada, ao tempo em que enriquecemos o nosso com eles.
Uma dica… lembram daquelas bonequinhas de papel, que cortávamos, junto com suas roupas, para brincar?
Visite o Blog Blog Bonecas de Papel. Mas se permita conhecer um pouco as bonequinhas de papel de hoje em dia.. basta entrar na comunidade online Stardoll.
Saudações lúdicas,
Rosemary Ramos